A COISA HORRÍVEL COM AS B

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{5 de junho de 2026}

Chama a atenção isso de o quanto seria a Gassipós quase que totalmente realista e o quanto eu, mesmo agora, me lembro da casa como se fosse recente.

Na sala, minha mãe está sentada num recamier, não parece um sofá com encosto e sim um banco longo sem encosto, ao longo da grande janela da sala que dava para o jardim em frente da casa.

Eu estou sentada na ponta desse recamier, na direção da porta de entrada da casa e tem algo que não tenho certeza, mas quase como se eu estivesse nua. Não estou, tem roupas na história, mas tem algo a respeito como se eu estivesse com pouca roupa ou roupa de mendigo.

A situação seria que a casa estaria infestada de baratas, mas propriamente no espaço de chão entre esse recamier e a porta de entrada. Minha mãe é que me mostra as baratas. Vejo umas seis ali, não estão correndo como costumam fazer.

Ontem fiquei escutando a astróloga dizendo como que podemos ver na 12 casa o que nos adoece e que quem tem Capricórnio na 12 acha que tem que resolver tudo para todos e carregar o mundo nas costas.

Pois eu me ponho para resolver o assunto.

– Pode deixar, eu digo.

E tenho mesmo como resolver. Meu aspirador está ali perto da porta e com ele posso dar um jeito.

Tem algo na atitude da minha mãe. Como se ela achasse esse recurso de usar o aspirador meio indigno, mas ficasse feliz de eu usar aquilo e resolver, no sentido de “não sujar as mãos”.

Tem algo não muito maternal no fato dela querer que sua filha resolva a coisa de uma maneira que ela não acha muito correta, algo assim, mas não se importa que a filha se envolva com isso, o que ela quer é que o assunto seja resolvido.

Pego meu aspirador e aqui não lembro se vou na direção da porta para ligar na tomada, talvez isso, ou para pegar alguma outra parte do aspirador. Acho que vou ligar na tomada, pois o longo cano do aspirador, que seria a única parte que poderia ser algo faltando, já está montada, tanto que na hora que vejo no meu caminho uma barata meio mais gorda, com a ponta desse cano eu empurro a barata e digo algo meio:

– Saia da frente.

E nisso ocorre o seguinte. Eu dei como que um peteleco com o cano na barata, que estava no chão, e com o impulso, ela é arremessada no ar numa parábola, como na cena do cuspe do AAN e cai…

Ai meu deus, ela cai do lado de dentro da minha camiseta, nas costas, entrando pela gola.

Fico completamente aterrorizada e fora de controle.

Largo o aspirado e começo a gritar desesperadamente e o que mais fica em destaque, descontroladamente. Não consigo me controlar.

Imploro para minha mãe vir me ajudar, e tem algo nisso que acho que seria o ponto do sonho, pois de “salvadora” ali da situação, passo a ser uma filha desesperada que precisa ser salva.

Procuro não me mexer pois não quero sentir aquele inseto se mexendo nas minhas costas. Não fica colocado um motivo, mas minha mãe não vem imediatamente, não por má vontade, mas porquê tem que resolver tal e tal coisa ali na sala mesmo, com outras pessoas, e eu fico de pé, o mais imóvel que posso, esperando receber ajuda. Ela pode resolver isso para mim.

E então bizarramente, estamos no estacionamento de um local, na mesma situação.

Eu estou de pé perto do nosso carro, como se tivessemos acabado de descer nesse estacionamento, e minha mãe continua tendo que resolver coisas com outras pessoas, ali no estacionamento, e eu de pé, aguardo e aguardo que ela venha resolver a situação para mim e enquanto isso, sinto a barata andar para baixo no meu corpo, entrar debaixo da minha calcinha e ir parar bem no meio da minha nádega esquerda e…

Esse é o fluxo prejudicado da minha energia.

Acho que chamo a minha mãe novamente, pelo menos não estou mais histérica, e enquanto isso elaboro o seguinte plano:

– No que ela vier, tiro toda a roupa e a barata vai cair no chão e minha mãe pode matá-la.

Não ousava fazer isso sozinha e caso algo desse errado, não iria ter quem me ajudasse.

Mas estou disposta a não me importar de ficar pelada ali, para me livrar dessa barata.

E depois esse trecho.

Estou aqui na kit. Márcio o taxista dos ovos, está usando o meu banheiro.

Estou imprimindo na impressora aqui do computador as etiquetas que fiz para os ovos e ainda não mostrei para ele de medo que ele entenda mal. Isso na vida acordada. A impressora está terminando de imprimir. Eu grito para ele:

– Márcio, tenho uma coisa para você.

Ele sai do banheiro daquele jeito sorridente dele e no que eu olho ali a folha de etiquetas que sai da impressora, a impressão está quase que invisível, como se a tinta tivesse acabado.

Não tenho como mostrar isso a ele, nem se eu explicar, penso.

Digo qualquer coisa e ele vai até a cozinha.

Fico olhando a folha de etiquetas dos ovos quase desaparecida da folha de adesivos e me dá tristeza.

Vou imprimir essa folha de etiquetas amanhã, Guias. Saiu uma fofura. Depois penso num jeito de entregar que não fique mal.

IMAGE CREDTIS LASPATA DECARO | KARLIE KLOSS | AMERICANA MANHASSET SPRING LOOKBOOK 2012


A COISA HORRÍVEL COM AS B

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